Mitzvá como escolha
Foi pertinente para os judeus no periodo medieval, expressar nas palavras do Talmud, Gadol metzuve ve osse misheeino metzuve veosse, É mais louvável aquele que observa as mitzvot pelo sentido da obrigação do que aquele que as pratica por sua livre escolha, pois no mundo medieval, a concepção básica era para com quem você está obrigado.
A ideia de obrigação hoje em dia não funciona conosco, pode até ter funcionado com algumas gerações atrás mas agora não apela mais a ninguém. E com certeza não vai funcionar com os homens e mulheres que estão hoje, aqui, e com aqueles que escolheram não estar aqui.
Tal vez porque a coisa mas significativa, a coisa mas carinhosa, que um judeu faz hoje judaicamente é escolher levar o judaismo a sério num mundo onde não há qualquer obrigação de fazê-lo. Hoje em dia, todos somos judeus por escolha, até aqueles que biologicamente somos judeus, temos que continuar escolhendo pertencer à nossa tradição.
Em outras palavras, precisamos adaptar a tradição judaica, transpô-la para um contexto de liberdade. Hoje em dia, o judaismo é para aqueles Einam metzuvim ve ossim, para aqueles que procuram meios de expressar o seu judaismo numa sociedade aberta, que não pode obrigar ninguém a nada, onde não é suficiente apenas ordenar ou apenas decretar, um judaísmo que possa oferecer uma resposta ao vácuo espiritual nas almas de tantos homens e mulheres.
Rabino Adrián Gottfried
topo