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Porque o Kadish é falado em aramaico?

Respostas

Kadish, um poema aramaico que louva Deus, é uma das partes mais antigas da liturgia da sinagoga.  É também uma das mais poderosas e duradouras.  Datado do primeiro século, foi provavelmente recitado nas primeiras sinagogas fundadas depois da destruição do Segundo Templo em Jerusalém, no ano de 70 e.c.  As linhas centrais do kadish estão mencionadas no Talmud, que foi escrito e editado ente o terceiro e o sexto séculos.  Fontes rabínicas antigas mostram o kadish associado com o estudo de textos sagrados – dizia-se  na conclusão do estudo da Torá – mas a partir da Idade Média tornou-se relacionada com luto.  Em um certo ponto do serviço na sinagoga, o chefe da congregação sairia até onde os enlutados se encontravam sentados e diria kadish para eles.  Mais tarde, eram os enlutados por si só que conduziam a prece.

Em ocasiões de grande perda, a inclinação natural é questionar, rebelar-se, rejeitas  e diminuir Deus.  Mas a tradição conclama o enlutado não somente a louvar a Deus, mas conduzir outros neste antigo poema de louvor.  “Yitkadal vey-itkadash shmei rabá”, começa. “Que Seu grande nome cresça exaltado e santificado para todo o sempre.” O Kadish foi escrito em aramaico, a língua popular dos tempos talmúdicos, assim seria compreendido por todos.  Hoje, o aramaico quer dizer muito pouco para a maioria dos judeus, mas as palavras, ritmos e respostas alternadas do kadish mantêm seu poder emocional
A obrigação de recitar o kadish também empurra o enlutado para fora de sua casa e para dentro da comunidade em uma hora em que seria mais fácil se retirar e lamentar-se quietamente.  

Ao contrário do que se possa esperar, o kadish não faz qualquer menção explícita à morte.  Aprece começa com o reconhecimento do poder de Deus sobre a terra. “como Ele desejou”.  Podemos não compreender a vontade de Deus – especialmente em uma hora de perda – mas nos submetemos a ela mesmo quando vai contra nossa natureza..  O Kadish continua com uma súplica pela redenção final – a era messiânica – quando o reino de Deus será reconhecido por todos. Dirigindo-se à congregação, o enlutado reza para que a redenção venha “nos nossos dias e nos dias de toda a casa de Israel, logo e rapidamente.”  A congregação responde com as palavras: “Que Seu grande nome seja exaltado e santificado para todo o sempre”, uma frase que é então repetida pelo enlutado.  A fala e resposta do kadish - de fato um reconhecimento público de fé em Deus – é tão essencial àquele que reza que o kadish pode ser dito somente como parte de prece pública, em um miniam com mais de 10  pessoas, todas respondendo com um “amém” alto em cinco pontos específicos.
 
O Kadish tem algumas poucas formas diferentes e variações, mas todas têm esses elementos essenciais: aramaico, fala e resposta, louvor a Deus, submissão à vontade de Deus e esperança na redenção.  Um kadish especial é dito à beira do túmulo após o funeral. Duas outras variações, chamadas Meio Kadish e Kadish Completo, são ditas durante o serviço da sinagoga por aquele que conduz as preces.

 O Kadish dos Enlutados e o Kadish de Rabanan são reservados para  os enlutados.  Em suas várias formas, o kadish é dito diversas vezes durante cada um dos três serviços diários.  Em qualquer uma de suas variações, ele raramente leva mais do que um minuto para ser recitado.   Kadish os Enlutados, por exemplo, tem somente 75 palavras.  Mas, apesar de sua brevidade, é uma das preces mais pungentes da liturgia.

Rabino Adrian Gottfried

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