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A Nobreza da rotina religiosa

Há muitos anos atrás, foi publicado um estudo sobre o comportamento de casais que desfrutavam de casamentos felizes, duradouros e satisfatórios. A pesquisa descobriu que nos casamentos mais fortes, uma alta porcentagem dos casais se abraçava e beijava no começo e no fim do dia.

Surpreendente para alguns, a natureza do abraço e do beijo não eram particularmente importantes. Os parceiros não tinham que estar apaixonados, "completamente envolvidos" ou até mesmo ser sinceros. Um beijo e um abraço superficiais pareciam ser suficientes.

Esta descoberta talvez não seja nova para frequentadores regulares da sinagoga ou para os que fazem mitzvot regularmente, que sabem que o que quer que seja que façamos repetidamente tem o poder de nos moldar, mesmo se não estivermos totalmente engajados a cada minuto. O culto comunitário regular, mesmo quando feito de maneira aparentemente ocasional, nos molda, nos refina, e nos eleva.

Na verdade, a maioria dos judeus não tem o hábito de cultuar numa base diária ou semanal. Apesar de que o nosso Movimento tenha enfatizado, corretamente, a dimensão ética da vida Judaica, às vezes temos desvalorizado o lado ritual das nossas vidas religiosas. Consequentemente, muitos de nós tem afastado de suas vidas a experiência da prece, exceto, talvez, durante os dias das Grandes Festas, quando de alguma maneira esperamos que as nossas almas sejam elevadas aos céus.

Aqueles de nós que tem essas expectativas são, com mais frequência do que não, decepcionados.

As epifanias na prece, como o Rabino Abraham Joshua Heschel escreveu, são breves, esporádicas e raras - e nós ficamos impacientes e nos distraímos facilmente.
Rezar é uma habilidade; dá trabalho. Você não pode correr uma maratona se for um corredor de duas vez por ano, e você não vivenciará uma elevação espiritual na sinagoga, independente de quão inspiracional seja o culto, se você aparece somente duas vezes por ano.

É exatamente por esse motivo que a rotina religiosa é tão importante. Ela nos mantém de prontidão para a voz de comando de Deus. Significa que estamos alertas para o sagrado. Caso contrário, na incrível movimentação de nossas vidas, esta santidade é quase certo que nos iluda.

Como, então, nós podemos nos mover da expectativa de uma gratificação espiritual instantânea, ou nenhuma, para uma que afirme a nobreza da rotina religiosa? Nós devemos reconhecer que a conexão com Deus e com a Torá surge somente do culto comunitário contínuo e de um senso de obrigação religiosa contínua.

A observância regular também cria laços de intimidade e confiança dentro das nossas congregações. Em tempos difíceis, os outros estão presentes para manter a nossa fé e nos puxar junto; e nós estamos lá para quando eles precisarem de nós.

Com a aproximação das Grandes Festas, vamos resolver que, embora tenhamos escolhido observar como judeus s, a nossa prática é regular e sustentada.

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