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I Conferência
Latino Americana de Healing Judaico

A Comunidade Shalom agradece a presença dos 187 participantes da I Conferencia Latino Americana de Healing Judaico: americanos, argentinos, uruguaios, costa riquenhos, cariocas, gaúchos e paulistas de todos os cantos. Juntos, vivemos momentos mágicos, regados a diferentes tons e sobretons.

Representantes de diferentes comunidades judaicas e participantes não judeus foram unânimes quanto à qualidade das palestras, a organização do evento e a hospitalidade da Comunidade Shalom.

A presença de Neshama Carlebach - e seus músicos, sensibilizou a todos: tanto nos shows realizados na Hebraica, quanto na intimidade de um emocionante workshop. A Comunidade Shalom, musical por excelência, apresentou seu Coral e lançou o CD Refuá Shlemá: a música do healing judaico.

Inúmeras sugestões e desdobramentos dos trabalhos, garantiram um compromisso com os 180 participantes presentes: em 2007 acontecerá a II Conferencia Latino Americana de Healing Judaico. 

Personalidades
Neshama Carlebach Rabina Amy Eilberg
Anne Brener Berta Arcuschin
Depoimentos

Comunidade Shalom comemora o sucesso da 1ª Conferência Latino-Americana de Healing Judaico

Durante quatro dias, a Comunidade Shalom foi palco de cenas emocionantes: risadas soltas, lágrimas incontidas, abraços longos e apertados. Rezas, meditação, exercícios de respiração e dança. E, claro, muita discussão – no bom sentido – sobre um tema que, para muitos, era novidade: o Healing Judaico. “Temos em nós mesmos ferramentas poderosas para lidar com a doença – a cura, embora precise dos recursos da medicina moderna, pode ser impulsionada de maneira decisiva pela nossa própria participação”, diz o Rabino da Comunidade Shalom, Adrian Gottfried.

Embora já se fale da espiritualidade como fonte de conforto e força quando estamos em momentos de fragilidade, a reunião das palavras “healing” e “judaísmo” ainda é algo que pode soar inusitado para alguns. Mas o Judaísmo oferece ferramentas poderosas para lidar com as questões da fragilidade humana. Provas disso não faltaram durante a conferência, realizada de 16 a 19 de junho na sede da Comunidade Shalom. O número de inscritos revelou-se surpreendente: compareceram quase 200 pessoas de diversos cantos da América Latina: Paulistas, cariocas e gaúchos dividiram suas experiências e dúvidas com judeus da Argentina,

Costa Rica, Uruguai e Estados Unidos. O presidente da Comunidade Shalom, Mario Grunebaum e o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Jayme Blay, também marcaram presença, demonstrando-se sensíveis à questão.  

Para aprofundar-se nesse assunto tão amplo e relevante, o evento reuniu palestrantes de diversas áreas. Presidente e vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Cláudio Lottenberg e Elias Knobel deixaram claro que a comunidade médica começa a despertar para a importância da humanização da medicina. “Não deixa de ser inquietante observar o surgimento de médicos com extrema rigidez de sentimentos, protagonizando posturas muitas vezes condenáveis”, disse Cláudio Lottenberg na abertura da Conferência. Ele destacou pesquisas que demonstram o quanto os pacientes necessitam de um apoio emocional e espiritual no processo de superação de uma doença.

Nesse cenário, o profissional da medicina pode ter um papel muito mais completo que o de um “técnico da saúde”, tornando-se não apenas um vetor da cura, mas um facilitador de uma transformação profunda do paciente, que pode, assim, reconectar-se com um poder superior.

A conferência também teve a presença especialíssima da cantora americana Neshama Carlebach, que ministrou um workshop sobre o poder de Healing da música.

Acompanhada por seus talentosos parceiros, David Morgan ao piano e Brian Glassman no contrabaixo, a filha de Reb Shlomo Carlebach cantou e encantou a platéia que, embevecida, pôde constatar na própria alma o alento da música judaica. “Quando cantamos, rezamos duas vezes”, dizia Reb Shlomo Carlebach. Quase 800 pessoas também tiveram o prazer de ver Neshama cantar em dois shows na Hebraica. A experiência reconfortante foi mútua: “Sei que levarei de volta comigo esse carinho para me aliviar quando estiver triste”, disse ela, surpresa com a receptividade da comunidade Shalom.

A orientadora espiritual americana Anne Brener, autora do livro Mourning and Mitzva (Luto e Mitzvá) destrinchou com leveza um tema doloroso: como o Judaísmo nos ajuda a lidar com a morte. Anne falou dos diferentes estágios que temos de enfrentar quando perdemos um ente querido, relacionando-os com os ensinamentos da Torá.

O assunto foi explorado também pela psicóloga Ana Julia Kovacs, pesquisadora do Laboratório de Estudos da Morte da Universidade de São Paulo, que falou sobre a importância de uma educação para a morte.

O lançamento do livro A Força Espiritual Cura: Como Visitar Alguém Doente, foi recebido com entusiasmo. A obra compartilha a experiência do Núcleo de Healing da Comunidade Shalom que, há quatro anos, vem exercitando a prática de visitar doentes em situações das mais diversas – desde alguém que está acamado num hospital até uma mãe que enfrenta a dor da perda de um filho.

A obra mostra as várias facetas do quanto uma visita pode fazer bem, deixando claro que a prática não é apenas para pessoas com dom ou treinamento específico, com sorriso agradável ou para aqueles de fé profunda. É para todos. Por isso, o livro oferece um manual de visita a doentes, compilado por um grupo de rabinos e adaptado de acordo com a experiência moderna. Há dicas e descrições de situações gerais e específicas, como qual a atitude necessária ao visitarmos alguém que está em tratamento de quimioterapia, ou uma criança doente, ou uma pessoa com Alzheimer. O lançamento do livro foi acompanhado do lançamento do CD Refuá Shlemá: A música do Healing Judaico, com canções judaicas inspiradas em orações que evocam a conexão do ser humano com sua espiritualidade e poder de cura.

O papel da mulher no judaísmo

No último dia da conferência, mais uma surpresa: a pré-estréia do documentário Abrindo os Portões: Mulheres no Rabinato. Realizado nos Estados Unidos e legendado especialmente para a Conferência, o filme aborda com delicadeza e propriedade a trajetória de mulheres pioneiras que transformaram a história do Judaísmo, iniciando um processo de inclusão que encontra cada vez mais ressonância. As ordenações da rabina Amy Eilberg, - do Movimento Conservador - e de Sally Priesand (refomista) e Sandy Eisenberg Sasso (reconstruccionista) foram os eventos  desencadeadores de uma grande mudança, cujo impacto a longo prazo apenas começa a ser percebido. As mulheres rabinas estão, pouco a pouco, remodelando os contornos da tradição judaica, trazendo uma perspectiva mais atual e inclusiva. Com o trabalho delas, a presença da mulher nos fatos bíblicos – antes negligenciada – está, aos poucos, ocupando um lugar ativo; questões da lei judaica que nunca haviam sido discutidas antes, como os rituais de luto no caso de aborto espontâneo, passaram a ser estudadas nos conselhos religiosos.

Depois de Amy Eilberg, outras 600 mulheres em todo o mundo escolheram o mesmo caminho. Hoje, porém, ainda têm de enfrentar obstáculos para serem contratadas por sinagogas e aceitas por suas congregações.

No Brasil, apenas duas sinagogas têm mulheres atuando como rabinas. Logo depois da exibição do filme, a questão foi discutida com a presença das rabinas Graciela Grinberg, Margit Baumatz, Daniela Szuster e Luciana Pajecki Lederman, futura rabina-assistente na Comunidade Shalom e a primeira rabina conservadora brasileira a trabalhar no Brasil.

O balanço geral da 1ª Conferência Latino-Americana de Healing Judaico foi excelente. As expectativas foram em muito superadas, dado o interesse e a emoção despertada nos participantes. Depois de um merecido período de descanso, a Comunidade Shalom já dará início aos preparativos para a segunda edição do evento, prevista para 2007.

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