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Quais são as perguntas?

Dra. Tamara Green PhD.
Membro Fundadora do National Center for Jewish Healing e
Catedrática do Departamento de Literatura Clássica do Hunter College, New York City

Quando eu era criança, as quatro perguntas entoadas no princípio do seder de Pessach me deixavam extremamente perplexa. Ah, eu as entendia facilmente, em seu modo mais literal, mas sempre me parecia não haver lugar algum na Hagadá que respondesse de forma direta a essas perguntas. Foram necessários vários sedarim antes que percebesse que as perguntas não eram tão óbvias como eu outrora julgara, e que, a cada ano, elas podiam provocar respostas distintas, e que nem todas as respostas tinham sua fonte na Hagadá.

Por outro lado, mesmo ainda criança, as perguntas indagadas pelos arbá banim - os quatro filhos – pareciam suficientemente simples. Afinal de contas, toda criança sabe como fazer muitas perguntas e, até no meu limitado círculo de amigos e conhecidos, eu conhecia inúmeras crianças que eram sábias ou tolas ou ingênuas, e até mesmo algumas que me pareciam perversas. (obviamente, em me colocava na primeira categoria). Foram necessários vários sedarim antes que percebesse que as perguntas poderiam ter respostas diferentes a cada ano, mas também que a pergunta que cada criança indaga poderia ser refletida por minha luta para extrair sentido do modo em que minha doença afeta minha vida judaica. O que descobri na mesa do seder é que, mesmo hoje, sou tanto a criança sábia quanto a perversa; sou tanto a criança ingênua quanto a criança que não sabe perguntar.

Às vezes, sou a criança sábia. A criança sábia pergunta: “Quais são as leis e regulamentos que Adonai comandou que observássemos?” Embora a Hagadá declare meramente que deve-se ensinar a esta criança todas as leis de Pessach, a Torá acrescenta que estes mandamentos são observados para o nosso próprio bem, para que possamos nos recordar que Adonai nos trouxe para fora da escravidão até a terra prometida. Assim, eu pergunto: o que Adonai comandou a mim? Será que minha enfermidade tornou-se meu Egito pessoal e haverá alguma sabedoria que a dor e o sofrimento tenham me trazido? Eu não sei. Será para o meu próprio bem? Espero que não.

Às vezes, sou a criança perversa. A criança perversa pergunta: “O que este ritual significa para vocês?” Os rabinos acrescentam: “Para você e não para ela.” Muitas vezes, eu quero dizer: “Deixem-me em paz com meu sofrimento.” Serei eu então deixada parada sozinha às margens do Mar Vermelho, temerosa de que eu me afogue e desapareça completamente? Como encontro a coragem para dar o primeiro passo e adentrar o espaço que Adonai criou para mim? Eu não sei. Será que minha raiva diante da dor me isola da comunidade e, portanto, me torna perversa? Espero que não.

Às vezes, sou a criança ingênua. A criança ingênua pergunta: “O que significa tudo isso?” E os rabinos respondem: “Com mão forte Deus libertou o povo judeu do Egito, da casa da escravidão". Onde está minha libertação da dor? Haverá algum motivo para que isso tenha acontecido comigo? Espero que não. Serei eu capaz de ver a mão estendida de Adonai e de sentir a Presença Divina? Espero que sim.

Às vezes, sou a criança que não sabe perguntar: “quanto à criança que não sabe perguntar, você deverá levá-lo ao processo do aprendizado, ensinando-lhe: "Faço tudo isto por causa de tudo o que Deus fez por mim quando me tirou do Egito".” Como começo a buscar a liberdade deste meu espaço estreito particular? Será que consigo formular os pensamentos ou dar voz às palavras que me ajudarão a encontrar o caminho? Estará Adonai presente nesse lugar? Espero que sim.

Pelo menos, eu me lembro que há questões a serem indagadas e, por enquanto, é o suficiente.

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