Agenda – Shalo

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MUSICA DA SHALOM

DIRETOR MUSICAL : BENY ZEKHRY

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A MÚSICA NA SHALOM

 

Rabino Adrián Gottfried

Durante a história judaica, a música sempre foi vital na continuidade do nosso povo. Cantar, desde os tempos bíblicos, tem sido uma paixão judaica que se renova a cada geração.

Na Comunidade Shalom, desde sua re-fundação em 1997, a música tem sido um elemento central da vida judaica e religiosa.

Assim, a música ao vivo nos permite uma fonte de inspiração permanente e os diferentes instrumentos, tocados com maestria pelos nossos talentosos músicos, nos ajudam a criar uma atmosfera espiritual em cada prece.

A nossa sensibilidade espiritual nos motiva a incluir durante os nossos serviços religiosos músicas e melodias, que muitas vezes são o veículo mais apropriado para elevar nossa alma e atingir novos horizontes espirituais.

As melodias cantadas em nossos serviços foram escolhidas por serem cantáveis, tornando nossas tefilot participativas. Nós sempre reservamos algumas músicas litúrgicas para o chazan ou para a chazanit que foi designado para esse dia, para que ele/a faça um solo, mas o resto do nosso serviço é cantado por toda a congregação. Isto é possível porque o nosso Sidur Chadash é totalmente transliterado, para que participantes com hebraico limitado também possam participar.

Outro objetivo dos nossos serviços é criar uma atmosfera na qual as pessoas se sintam confortáveis para compartilhar suas histórias mais particulares com a comunidade.

Certa vez deixei claro num encontro com novos participantes: “se vocês forem o tipo de pessoa que fica incomodada quando o Adon Olam é cantado numa melodia diferente da tradicional, vocês não serão felizes em nossa comunidade”. Eu tinha a intenção de destacar que na Shalom estamos comprometidos com a inovação, com a rica e diversa tradição musical plural – numa tentativa de combinar os elementos tradicionais do serviço com novos enfoques, que poderiam tocar a alma das pessoas.

Mas isto também tem as suas armadilhas. Uma pessoa pode vivenciar uma inovação como um momento profundamente espiritual, e a outra pessoa pode simplesmente achar que seja sentimentalismo demais. É claro que cada um tem as suas próprias preferências. O que uma pessoa pode adorar, a outra pode achar problemático. Nem sempre é fácil combinar uma variedade de estilos em um único serviço.

A escolha foi de criar um serviço que tivesse alguns riscos ao invés de estar sentado num serviço completamente previsível e de um único estilo.

Será que há lugar no serviço da Shalom para a reza tradicional? Sim. Para intervalos instrumentais? Sim. Solos de chazan/it? Sim. Cantos meditativos? Sim. Preces em hebraico cantadas em melodias brasileiras? Sim. Palavras brasileiras cantáveis nas preces em hebraico? Sim. Bater palmas em melodias animadas? Sim. Tambores e pandeiros? Sim. Silêncio? Sim. Idish? Sim. Ladino? Sim. Português? Sim. Também há espaço para incluir melodias chassídicas, músicas israelenses contemporâneas, e novas melodias contemporâneas.

As rezas cantadas pela congregação carregam a mensagem espiritual. Assim, muitas vezes a melodia é mais importante que as palavras.

Una-se à canção e deixe a música elevar sua alma para o céu. Se você se sentir confortável, esta será uma boa prática.

 

“Venham aqui,

eu lhes mostrarei um novo caminho para o Criador:

não através da fala, mas através da música!

Cantemos e o Céu nos entenderá”

RABÍ NACHMAN DE BRATSLAV

 

 

 

 

REZAR É COMO TOCAR JAZZ

Rabino Levy Kelman


Rezar é como tocar jazz.  Quanto mais você reza, mais sua oração se enriquece.  Você pode rezar sozinho, mas as coisas emocionantes acontecem com preces comunitárias.  Ajuda a conhecer e crer nos outros também (além de você aprender muito quando reza com novas pessoas).  Alguns dos serviços são tradicionais, outros criativos.  Algumas sinagogas são formais, outras nem tanto.  O serviço judaico é construído ao redor de uma série de temas espirituais.  Por vezes todos nós rezamos em harmonia, outras vezes cada um de nós reza em nosso próprio ritmo, em nosso próprio volume.

O sidur é uma estrutura, como a partitura na frente do tocador de jazz.  Se você escolher usar essas palavras, saiba que se ler as preces não estará rezando.  As pessoas devem tentar e alcançar um equilíbrio apropriado entre a reza e quem reza, e entre quem reza e os outros que rezam.

Saiba que, de acordo com nossa tradição, rezar inclui tanto música como silêncio.  Tente e relaxe de toda a tensão.  Todos nós vimos à sinagoga com um misto de sentimentos.  Estamos cientes desses sentimentos na reza – não tentamos fugir deles.  Deixamos nossos sentimentos influírem em nossas rezas e nossas rezas influírem em nossos sentimentos.

A maioria dos judeus vai a um serviço religioso totalmente despreparada.  Eles não conhecem a música (o livro de rezas), não foram treinados no sistema musical (espiritual) e não têm praticado há muito tempo.    Esperam o máximo sem conhecer a lógica profunda da prece judaica.

Se você não conhece bem o sidur, comece tentando encontrar palavras com as quais se sinta confortável.  Podemos encontrar em quase todas as palavras do sidur associações com a Bíblia, o Talmud, a Midrash e a Cabala.  Quanto mais você estiver familiarizado em essas conexões, mais rica a reza pode ficar.

A “banda” se reúne (pelo menos) uma vez por semana.  Pode bem ser que as palavras ou melodias não sejam familiares para você.  Lembre-se, qualquer matéria é difícil no começo; a prática permite que você se sinta livre.