Agenda – Shalo

janeiro 2018
S T Q Q S S D
« dez    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  
 
postpara banner

Chanuka: Macabeus, aonde está o milagre, o desafio de chanuka, dnei

O QUE É CHANUCÁ? MAÍ CHANUCÁ ?
por Rabino Adrián Gottfried

Maí Chanucá – “o que é Chanucá” – pergunta o Talmud. Após refletir um pouco,
esta é uma pergunta estranha para os rabinos do Talmud fazerem. Será que eles
não sabiam o que a festa de Chanuca comemora? Não foram eles mesmos que
decretaram que Chanucá seria uma celebração de oito dias, começando no dia
25 de kislev?

Todos nós temos conhecimento, até certo ponto, da história de Chanucá, da
vitória dos bravos Macabeus contra os Gregos e do milagre do óleo que durou
oito dias ao invés de um. Examinando mais profundamente, a história da festa de
Chanucá não está clara, e a história também não é tão simples.

Vale a pena examinar a versão comum, antes de analisarmos detalhadamente as
suas fontes. No quarto século A.C., Alexandre o Grande com seu exército grego
conquistou o Oriente, incluindo Israel. Após a sua morte, seu império
desmoronou. A terra de Israel, depois de um período de luta, acabou sendo
dominada pela dinastia selêucida, que governava a região da Síria.

No ano 167 A.C, o rei Antiochus Epiphanes decidiu obrigar todos os povos sob o seu
domínio a se helenizarem. A prática de rituais judaicos como o Shabat e a circuncisão
foram banidas. A adoração a Deuses gregos e o sacrifício de porcos substituiu a
adoração tradicional no templo. Alguns judeus se reuniam ansiosamente no ginásio,
símbolo da ênfase grega na beleza e força do corpo. Outros resistiram ao helenismo e
morreram como mártires.

Certo dia os gregos vieram à aldeia de Modiín e colocaram um altar. Eles
ordenaram que os judeus trouxessem um porco como sacrifício para mostrar
obediência ao decreto de Antiochus. Matitiau, um velho sacerdote, ficou tão
enfurecido ao ver um judeu ao ponto de fazer isso, que ele o matou. Ele e seus
cinco filhos brigaram contra essa atitude dos gregos, se retiraram para as
montanhas, e começaram uma guerrilha contra os gregos e seus aliados judeus.
Antes de morrer (de velhice), Matitiau passou a liderança para o seu filho Judá,
o Macabeu.

Judá lutou contra uma série de exércitos enviados por Antiochus, e
através de sua estratégia superior e valentia derrotou a todos eles. Finalmente,
ele e seus seguidores libertaram Jerusalém e reformaram o templo que tinha sido
pervertido pelos gregos. Eles encontraram apenas um pequeno jarro de óleo,
suficiente para apenas um dia, mas ao acenderem a Menorá do templo com este
óleo, um milagre aconteceu e a Menorá ficou acesa por oito dias. Desde então,
nós celebramos Chanucá para recordar os Macabeus e a sua luta pela independência
contra os Gregos, e sobre tudo o milagre do óleo.

Chanucá é a festa judaica mais documentada historicamente. Temos fontes
anteriores dessa história no 1º e 2º livro dos Macabéus e nos trabalhos de Flávio
Josefus. Temos relatos que apareceram mais tarde, no Talmud e em outras
literaturas rabínicas. Há até uma obra medieval chamada Meguilat Antiochus, que
foi moldada segundo o livro bíblico de Ester. O problema que enfrentamos é que
em nenhum desses relatos encontramos a história como foi contada acima e
como ela é popularmente conhecida. Examinemos cada um desses relatos e
especulemos qual deles é verdadeiro.

chanuka-decorations
ONDE ESTÁ O MILAGRE?
por Rabino Adrián Gottfried

As primeiras versões são encontradas no 1º e 2º livro dos Macabéus. Apesar de
que estes livros contem a história dos Macabéus, elas não se tornaram parte da
Bíblia Hebraica. Eles foram preservados pela igreja e podem ser encontrados em
coleções da literatura apócrifa. Portanto, Chanuká é a única grande festa que não
tem nenhuma base bíblica.

A história encontrada no 1º e 2º livro dos Macabeus (com algumas variações
entre os 2 livros) é bem similar à história que contamos anteriormente, exceto
por uma grande exceção – não há nenhuma menção ao jarro de óleo nem ao
milagre. Enquanto os dois livros mencionam a limpeza e re-dedicação ao templo
e até mesmo fazem uma breve menção ao reacendimento das luminárias no
templo, nada é dito sobre o milagre. Chanucá é instituída especificamente por
oito dias, não por causa do milagre da Menorá, mas porque foi modelada
segundo a festa de Sucot, que os Macabeus não puderam observar porque ainda
eram fugitivos nas montanhas da Judéia.

No relato de Flávio Josefus, o historiador judeu do 1º século da Era Comum,
novamente o milagre não é mencionado, mas ele chama esta festa de “luzes”.
Esperávamos que as fontes rabínicas nos trouxessem leis sobre o acendimento
das velas, na Mishná (a primeira coleção de material rabínico). Na verdade,
esperávamos por todo um tratado voltado a Chanucá, assim como há um para
Purim (o tratado Meguilá). Mas, ao invés disso, encontramos na Mishná um
silêncio virtual sobre Chanucá. Só na Guemará (o último material rabínico que
compõe o Talmud junto com a Mishná) encontramos nosso perdido milagre de
Chanucá.

No tratado Shabat 21b, a Guemará pergunta, “O que é Chanucá”? e
responde dizendo que os gregos desonraram o tempo, e quando os
Chashmonaim (um outro nome para os macabeus e seus descendentes) os
derrotaram, os judeus encontraram apenas um jarro de óleo com o selo intacto.
Lá havia óleo para apenas um dia, mas um milagre aconteceu e a Menorá ficou
acesa por 8 dias.

Devemos notar que o relato do Talmud dá pouquíssima importância à vitória
militar dos Macabeus e, ao invés disso, enfoca o milagre do óleo. Eruditos
especulam que a diferença entre os textos reflete a história da festa. Primeiro,
Chanucá era celebrado como a recordação da vitória dos Macabeus. Marcava
também a re-dedicação (Chanucá significa dedicação) ao templo. Apenas mais
tarde o milagre do óleo dominou a vitória militar.

A alteração de focos pode ser atribuída à história subsequente dos Chashmonaim.
A dinastia dos Chashmonaim, com o passar do tempo, se tornou helenizada e,
sobretudo, alguns deles se opuseram e até perseguiram os rabinos. Esta última
história obscura anulou o breve e brilhante período do seu início. Isto poderia
explicar o silêncio da Mishná. Outros especulam que nos tempos da Mishná, os
rabinos, vivendo sob o governo Romano, podem ter se sentido obrigados a censurar
uma história de uma revolta bem sucedida de um pequeno número de judeus contra
um inimigo poderoso.

A Mishná foi escrita depois das desastrosas revoltas de 70 d.e.c
(quando o segundo templo foi destruído) e de 135 d.e.c. (a rebelião de Bar
Kochba). Tanto para satisfazer os romanos quanto para desencorajar outros
Judeus de serem inspirados pelos Macabeus, a Mishná pode ter minimizado o
significado militar de Chanucá.

Finalmente, a gente pode teorizar isto porque a independência do estado
Chashmonaí durou menos de cem anos, a importância da vitória dos Macabéus
foi diminuindo com o tempo, até parecer um momento relativamente breve na
história de Israel. Outras datas no calendário Judaico deste período passaram
também subsequentemente obscuras – por exemplo, o dia da vitória de Judá
sobre o general Nicanor era celebrada em 13 Adar (que mais tarde se tornou o
Jejum de Ester).

Para assegurar que a importância de Chanucá durasse, então, a tradição decidiu
enfatizar o seu significado espiritual e o seu símbolo – a Menorá. A despeito
desta história ambígua, Chanucá continuou sendo popular e os rabinos estabeleceram
regras para o acendimento das velas. Enquanto estas comemoravam o milagre do óleo,
a lenda dos Macabéus nunca desapareceu completamente de Chanucá. Portanto nós também
recitamos a prece Al Hanissim na Amidá e na prece após as refeições – Birkat Hamazon –
que enfatiza a vitória militar e menciona apenas levemente o acendimento da Menorá
do templo, sem nenhuma referência ao milagre.

happy-hanukkah-free-printable-blog
O DESAFIO DE CHANUKA
por Rabino Adrián Gottfried

Chanucá como festividade continuou mudando e se desenvolvendo. Durante a
Idade Média, o foco de Chanucá continuou no milagre do óleo, apesar de que as
histórias de valentia dos Macabéus eram bem conhecidas. Enquanto os primeiros
e os segundos Macabéus, bem como Flávio Josefus, eram desconhecidos para a
maioria dos Judeus, estas histórias foram registradas em vários midrashim ou
coleções de lendas folclóricas ou na Meguilat Antiochus. Algumas comunidades
lêem o rolo de Antiochus durante Chanucá. Estranhamente, este rolo, que fala
tanto sobre o milagre quanto da vitória, diminui o papel de Judá e, ao invés disso,
faz do seu irmão Jonathan o herói chefe. Meguilat Antiochus pode ser encontrada
em alguns sidurim.

No Hemisfério Norte, Chanucá tem sido influenciado pela celebração do Natal.
Enquanto a tradição de dar Chanucá Guelt – dinheiro – é antiga, a proximidade
ao Natal fez com que dar presentes fosse uma parte intrínseca da festa.
Em geral, a tentativa de criar um equivalente judaico para o Natal deu a Chanucá
maior significado no ciclo das festas do que teria no passado.
Entretanto, para muitas famílias judias, Chanucá é muito mais importante que as
festas bíblicas de Sucot e Shavuot.

No estado de Israel, o aspecto nacionalista e militar da festa passam a
desempenhar novamente um papel principal. A luta heróica dos Macabéus contra
um inimigo muito maior, é, sem dúvida, muito relacionada com a auto-imagem de
Israel. Celebrações são feitas em Modiín, a cidade natal dos Macabéus, e tochas
de liberdade são carregadas por atletas de todas as parte de Israel e mesmo, por
avião, para outros países.

E portanto a resposta à simples pergunta Maí chanucá – o que é Chanucá?
Continuou a ser como a chama flamejante da Menorá. A chama nunca parece a
mesma de um instante para o outro, mas como núcleo permanece inalterada.

fonte: etsy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dnei Chanuka

Dneichanukashalom
Dnei Chanuka

 

A origem do dinheiro de Chanuca
(fonte: http://www.beliefnet.com/Love-Family/1999/12/Gifts-That-Endure.aspx)

Presentes duradouros
Dando tempo ao invés de presentes

A cada mês de dezembro, ao colocar as velas na menorá de Chanucá, eu tento me lembrar dos melhores presentes que recebi. Houve roupas, mas elas ficaram pequenas. Os brinquedos quebraram faz tempo ou foram doados para alguém. O guelt (dinheiro) foi gasto há muito tempo, não posso nem me lembrar com quê.

A origem do dinheiro de Chanuca

Os eruditos observaram que não há nenhuma recomendação bíblica ou rabínica para dar Guelt (dinheiro em idish) ou presentes em Chanuca. Dinheiro era distribuído informalmente no leste europeu e foi expandido para presentes reais somente na metade do século XX na América do Norte, enquanto em outros países os judeus não dão nenhum presente em Chanuca.O costume medieval de dar às crianças dinheiro de Chanuca não tem nenhum significado explícito ou histórico. Entretanto, moedas desempenham um papel importante na história dos Macabeus.

Como Maimônides observou, os gregos não apenas profanaram o Templo, mas também “depenaram” o dinheiro dos judeus. Na verdade, os ataques iniciais no Templo foram motivados pelo desejo de saquear o ouro do tesouro do Templo. Mais tarde quando o estado chashmoneu foi reconhecido como plenamente independente, ele teve reconhecido o seu direito de cunhar moedas.

As moedas foram, durante muito tempo, símbolos de soberania e na Inglaterra chagaram até a ser chamadas de “soberanos de ouro”. Estas moedas dos tempos dos chashmonaim mostram o retrato dos seus reis e algumas exibem a imagem preservada do candelabro anterior do Templo – de sete braços.

Os presentes que ainda estou desembrulhando são os presentes da família e comemorações.

Eu me lembro de como o meu irmão e eu discutíamos sobre quem seria o privilegiado de riscar o fósforo e acender as velas na menorá com o símbolo de Bet-El que estava na prateleira da janela da nossa cozinha.

continuação

Obviamente que a discussão continuaria pelos oito dias, assim como o lendário óleo, se não fosse pelo insight dos nossos pais que destacaram que – já que havia oito noites, nós podíamos nos turnar. (Ah, a sabedoria dos nossos ancestrais de ter assegurando um número par de noites!)Uma vez que as velas foram acendidas e as preces e melodias cantadas, nós jogaríamos um jogo que chamávamos da competição das velas. Meu irmão e eu escolhíamos a vela que achávamos que ficaria acesa por mais tempo. Enquanto as velas tremiam, nós comíamos o nosso jantar até que estivéssemos cheios de latkes (panquecas de batatas).

Em Chanuca, eu ouvi a história da determinação do meu povo, em manter a sua identidade numa sociedade que exigia conformidade. Os greco-sírios queriam que os judeus da época abandonassem a sua distinta cultura e se tornassem como os Gregos em práticas e crença. Era um esforço político mal-orientado para consolidar um império através da imposição de uniformidade. Um grupo de Judeus dirigidos pela família Macabi se revoltou e triunfou.

A nossa família celebrava uma herança de coragem e dedicação. Naquelas noites diante da Menorá, eu recebi um presente de fé – ter sido criado numa comunidade de fé particular. Muito frequentemente durante a época das festas nós transmitimos as lições erradas. Nós treinamos os nossos filhos para o consumismo, não para a cidadania. Nós lhes ensinamos que produtos materiais trazem satisfação e que a felicidade pode ser comprada. Nós criamos um crescente descontentamento ao celebrar os bens ao invés da bondade. Na Torá, a primeira vez em que a palavra sagrado é usada está em conexão com um dia. E Deus abençoa o sétimo dia e o santifica. (Gênesis 2:3). Antes de que um povo seja chamado de sagrado, antes que um lugar seja marcado como sagrado, o tempo foi santificado.

O que significaria dar aos nossos filhos presentes de tempo, ensinar-lhes que ser quem eles são é mais importante do que eles mesmos?

Momentos compartilhados, que nutrem relacionamentos, confiança e fé são as primeiras experiências religiosas de uma criança. Então, além de demonstrações materiais de afeto, vamos dar aos nossos filhos presentes de tempo. Embrulhe um presente de fé – datas fixas para rituais, músicas e comidas festivas. A fé nasce não da instrução explícita, mas do toque, sons e gosto com os quais nos sentimos confortáveis.

Ao olhar para os Chanucas que passaram, estes são os presentes dos quais me lembro. Com o que nós presentearemos, para que as nossas famílias possam se lembrar? Numa época em que a TV nos diz que todo mundo quer ser milionário, vamos desembrulhar, junto com os nossos filhos e seres queridos, presentes de tempo e maravilha, presentes de apreciação e fé, presentes do coração. Presentes duradouros. Dedicando tempo ao invés de presentes.

4