Agenda – Shalo

julho 2017
S T Q Q S S D
« jun    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  
 
carol_chammah_purim-171

Chag Purim Sameach! A Festa de Purim

purim-comunidade-shalom-5777

Purim baseia-se na história relatada no livro de Ester.
Acadêmicos tiveram dificuldade em identificar o período e os personagens que fazem parte da narrativa, mas o povo judeu nunca discutiu sua autenticidade, e esta convicção sempre sustentou solidamente a comemoração da data ano após ano, milênio após milênio.

Enquanto Chanucá é um evento pós-bíblico nem sequer mencionado na Mishná, Purim tem suas raízes no Tanach, e é tema de um tratado da Mishná e Talmud.

A grande popularidade de Purim pode ser explicada pela essência da história de Ester: a animosidade contra o judeu, uma questão que enfrentamos desde o início dos tempos.
“Existe um povo espalhado e disperso entre os demais povos…” (Ester 3:8)

As palavras discriminatórias de Haman têm sido repetidas de uma forma ou de outra em todas as eras. E celebrar Purim nos torna mais fortes, mais capazes para enfrentá-las com dignidade e coragem, alimentando a esperança de uma vitória definitiva sobre os inimigos.

O professor Kaplan elabora: “o desenvolvimento de um notável sistema de valores espirituais, verdadeira filosofia de vida, foi à resposta judaica às contingências inerentes à condição de minoria na diáspora. O sistema é notável não apenas por manter a coragem do judeu frente a situações desesperadoras, mas por seu valor intrínseco. Era esperado dos judeus que aceitassem viver como um povo subjugado. Era esperado que adotassem os padrões impostos pela maioria – se possível, de bom grado. Se não, apesar do ressentimento. Contrariando todas as probabilidades, eles formularam uma filosofia de vida capaz de prevenir a submissão”. (” The meaning of God”, page 363.)

O corolário da analise acima não é a fé ou a coragem com que enfrentamos o ódio, mas, sim, a consciência sobre a importância de nos mantermos como minoria, ainda que isto nos torne alvo dos inimigos. “Assim”, diz o professor Kaplan, “é necessário e apropriado tornarmos o jejum de Purim e o Shabat especial que precede a data momentos de reavaliação das dificuldades que enfrentamos como \’… um povo espalhado e disperso entre os demais povos\’. É importante conhecermos a fundo tais dificuldades, para estarmos mais bem preparados.

Os dias de Purim devem servir para compreendermos os desdobramentos dos valores espirituais que preservam nossa identidade, e os perigos que temos que vencer, se esperamos sobreviver enquanto minoria” (ibid, pp. 361-362).
Talvez seja por isso que os rabinos disseram que, mesmo quando todas as outras festas judaicas forem abolidas, Purim permanecerá (midrash mishle, 9:2).

Breve história de Purim:

Por volta do séc. IV a.e.c, aconteceu que o rei Achasverosh realizou uma festa que durou vários dias.  Durante esta festa, pediu a sua rainha, Vashti, que exibisse sua beleza a todos os participantes.  Frente à negativa dela, o rei a expulsou do reino e escolheu, através de um concurso de beleza, uma nova rainha.  Aí Ester, sobrinha do judeu Mordechai, foi escolhida.

Ao mesmo tempo, Haman foi eleito primeiro ministro do império.  Mordechai e os judeus despertaram o ódio de Haman, uma vez que se recusavam a cumprir com um dos mandatos que Hamam impusera, que consistia em prostrar-se diante dele quando passasse. Foi assim que, por sorteio (pur em hebraico, e por isto o nome da festa é Purim), determinou que todo o povo judeu fosse aniquilado no dia 13 do mês de Adar.

Ao saber do decreto, Mordechai rapidamente entrou em contato com sua sobrinha Ester e, juntos, elaboraram as ações a seguir para impedir a destruição do povo judeu.  Foi assim que Esther e Mordechai ordenaram aos judeus que jejuassem durante 3 dias e rezassem muito para encontrar a ajuda Divina.  Por outro lado, Esther desenvolveu todo um plano para desmascarar Haman diante do rei Achashverosh e, assim, mudar o destino do povo judeu.

Finalmente as ações de Esther e do povo surtiram efeito e no dia 13 de Adar aconteceu o contrario, o malvado Haman e toda sua família é que foram eliminados.  Foi assim que o povo judeu se salvou e festejou no dia 14 de Adar sua salvação.

Leis, Costumes e Tradições de Purim:

1
Leitura da Meguilá:

A Meguilá é lida duas vezes – uma à noite e outra pela manhã. A Meguilá é lida de um rolo de pergaminho, escrito por um sofer stam, como um livro da Torá;  deve-se ouvir a leitura da Meguilá em sua totalidade e por isto o oficiante precisa ter cuidado e procurar, nas partes em que se recorda o nome de Haman, o maldito, quando há muito ruído (a leitura fica abafada pelo ruído), esperar até que reine silêncio para continuar, caso contrário deverá voltar e ler novamente as palavras que foram abafadas pelo ruído.

2
Jejum ( Taanit Ester):

Em 13 de Adar se jejua desde a madrugada até a conclusão da leitura da Meguilá (à noite), em recordação ao jejum que durou três dias e que foi convocado por Esther a todos os judeus de Shusan, ao uniram-se a ela e suas donzelas. (Ester 4:17).

carol_chammah_purim-258

3
Mishloach Manot (Presentes comestíveis):

Este preceito está escrito na Meguilá. Sua essência é aumentar o amor, a amizade e o companheirismo dentro de Israel.  É um dever mandar ao menos dois presentes contendo comidas preparadas para o consumo.

4 Comer Oznei Hamán –Omentashn (Orelhas de Haman):

Massas em forma triangular, recheadas com sementes de papoula, ameixa, damasco seco, etc.  A tradição popular sustem que a forma triangular imita o chapéu que Aman usava.

5
Matanot La Evionim (Donativos para os pobres):

Devemos dar dois presentes a dois pobres.  Não existe a necessidade de dar comestíveis, mas é aconselhável da um donativo monetário, pois os pobres preferem receber dinheiro e não comestíveis.  É aconselhável dar mais em donativos para os pobres do que no banquete de Purim e nos presentes para os amigos, pois não existe alegria mais nobre do que alegrar o pobre, o órfão, a viúva e o estrangeiro.  Aquele que alegre esses desafortunados segue o exemplo  de Deus, como está escrito: “Aviva o espírito dos humildes e anima o coração dos aflitos” (Isaías 57:15).

6 Banquete de Purim

Os dias de Purim são marcados  como dias de banquete e de alegria;  deve-se realizar um banquete em honra de Purim logo ao meio-dia.  Neste banquete devemos aumentar a ingestão de vinho até ficarmos um pouco alegres demais.  A razão para isto é que o vinho foi a fonte de troca:  o banquete de Vashti trouxe consigo a eleição de Ester como rainha, e o banquete de Harashveroch foi que causou a derrota de Aman e a ascensão de Mordechai.  Por isso se deve alegrar-se mais, até não poder diferenciar ente “o maldito Aman” e o “bendito Mordechai”.  

7
Disfarces:  

Em Purim a alegria e a diversão são aumentadas.  Costumes diferentes foram agregados a Purim com o correr das gerações.  Um deles são as fantasias.  Por quê nos fantasiamos em Purim?  Uma das explicações é que está escrito na Meguilá “e muitos habitantes da terra se judaizavam” – muitos destes gentios que desejavam exterminar o povo de Israel por ordem de Amam e de Achashverosh se judaizaram, quer dizer, se vestiam como judeus, “porque o temor a Mordechai caíra sobre eles”.  Sem dúvida os disfarces veem demonstrar o motivo central desta festa – “e se inverteu”, é uma das expressões de alegria de Purim. (Mashuá).

4