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Tikun Leil Shavuot

MITZVÁ 101
O QUE ISSO TEM A VER COMIGO?

1)Kedushat Levi

Na palavra MITZVÁ, Mem-Tzadi, em Atbash, se tornam Iud-Hei, e desta forma, a palavra MITZVÁ se torna Iud-Hei-Vav-Hei (o tetragrama do nome divino). O Iud-Hei, a primeira metade da palavra MITZVÁ, representa o Ain, enquanto o Vav-Hei, a segunda metade da palavra MITZVÁ, representa o Iesh. Assim como Deus enquanto Ain está escondido, as duas primeiras letras da palavra MITZVÁ escondem o começo do nome divino.

Este é o significado do que está escondido e revelado na palavra MITZVÁ: nós realizamos atos sagrados para agradar a Deus, mas a maneira como isto acontece é um mistério para nós; por outro lado, quando nós realizamos boas ações para nós mesmos, isto é revelado para nós.

2)Emmanuel Levinas 
(“A religion for Adults”, in Difficult Freedom- Essays on Judaism)

O conhecimento de Deus vem a nos como um mandamento, como uma mitzvá. Conhecer Deus é saber o que precisa ser feito ... Numa passagem marcante do Talmud, Rabi Yochanan Ben Zakai é questionado por seus discípulos sobre as razões dos rituais de purificação em Números (Bamidbar), e ele se refugia atrás da autoridade divina. Mas ele acrescenta que, sem este mandamento, ‘Contato com uma pessoa morta não torna alguém impuro, nem a água purifica.’ Não existe um poder intrínseco no gesto ritual, mas sem ele a alma não pode ser elevada a Deus. O caminho que leva a Deus, leva ipso facto ao ser humano; e o caminho que leva ao ser humano nos traz de volta à disciplina ritual, à auto-educação. Sua grandeza está na regularidade diária.
Eis uma passagem em que três opiniões são dadas: a segunda indica a maneira como a primeira é verdade, e a terceira indica as condições práticas da segunda. Ben Zoma disse: “Eu encontrei um verso que contém toda a Torá, ‘Ouve Israel, Deus é um’”. Ben Nanus disse: “Eu encontrei um verso que contém toda a Torá, ‘Ame seu próximo como a Ti mesmo.’” Ben Pazi disse: “Eu encontrei um verso que contém toda a Torá, ‘Você deve sacrificar um cordeiro ao amanhecer e ao entardecer.’” Rabi, o mestre, se levantou e decidiu, “A lei vai de acordo com Ben Pazi” . A lei é esforço. A fidelidade diária a gestos rituais demanda uma coragem que é mais calma, mais nobre, é maior do que aquela do guerreiro.

3)Mordechai Kaplan (Questions Jews Ask – Reconstructionist Answers)

A motivação judaica para uma conduta ética é que ela salva a vida humana de toda forma de opressão e garante o triunfo da justiça e do amor sobre o desejo de dominar e oprimir. A maneira como isto é feito é através da observância de mitzvot e da prática de bons atos. Ao adotar para si “o jugo do reino dos céus” (aceitando a autoridade da lei divina), a pessoa se livra do jugo de uma tirania humana.

Só podemos considerar que a observância judaica serve seu propósito, quando ela contribui, (1) para a preservação do Povo Judeu, e (2) para a satisfação das necessidades espirituais pessoais dos judeus. Nossa posição é que aquelas mitzvot, que na tradição são descritas como mitzvot entre o ser humano e Deus, devem ser observadas na medida em que elas ajudem a manter uma continuidade histórica do povo judeu e a expressar ou simbolizar valores espirituais ou ideais que possam realçar a vida íntima dos judeus.

4)Abraham Joshua Heschel
(Heavenly Torá – As refracted through the generations)

O imperativo que sustenta todas as mitzvot

Os sábios distinguiram entre mandamentos que incluem toda a Torá e mandamentos que são específicos. Isto levou-os a especular: Poderíamos encontrar um princípio geral que serve a todas as mitzvot?

Rabi Eleazar, o Modaíta, sugeriu um que sustentaria todas as mitzvot: “Se ouvires atentamente a voz do Eterno, teu Deus, fizeres o direito a Seus olhos, escutares Seus mandamentos e guardares todos os Seus estatutos, toda enfermidade que enviei aos egípcios não porei sobre ti, pois Eu sou o Eterno, que te cura.” (Shemot 15:26). Rabi Eleazar não estava sugerindo um princípio a partir do qual os conteúdos e as justificativas para todas as mitzvot se formaram, por dedução lógica. Ao contrário, ele estava nos dizendo para não nos basearmos na razão. Sabedoria começa com a aceitação do jugo das mitzvot. O que Deus quer de você? Que preste atenção à Sua voz, que obedeça.

Por outro lado, existe uma tendência entre outros sábios de enxergar as mitzvot através de uma lente moral e racional ... O famoso aforismo de Hilel que toda a Torá não é mais do que um comentário ao imperativo, ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo.’, também é uma resposta à busca por um princípio geral ao qual todas as mitzvot servem.

Mas, considere: Será que este princípio pode gerar todas as mitzvot? Talvez isto pudesse ser imaginado no caso de mandamentos que governam relações interpessoais, mas o mesmo poderia ser dito de mandamentos entre seres humanos e Deus? Parece que Rabi Ishmael tentou ao menos fixar um ponto no meio de um campo caótico. Na sua visão, é a proibição à idolatria que serve de gerador a muitas, muitas mitzvot que governam as relações entre as pessoas e Deus. Mas o processo de derivação não é um processo lógico, mas sim histórico, enraizado na natureza da Escritura e na realidade da vida.

A escola de Rabi Ishmael ensinou explicitamente que esta questão é o alicerce da fé: ‘A escritura destacou este mandamento de todos os mandamentos escritos na Torá e todas as mitzvot são comentários a esta mitzvá ... qualquer um que reconheça a validade da idolatria, nega todos os Dez Mandamentos, e todo aquele que nega a validade da idolatria, reconhece a validade do toda a Torá.

5) Meor Einaim  Rabino Menachem Nachum de Cherbobil),
Mitzvá como recebimento da Shechiná
O mandamento antes de tudo é chamado de mitzvá porque ela une (mitzvá/tzavtá) a parte de Deus que reside dentro da pessoa com o Deus infinito....
A verdade é que o cumprimento real de qualquer mandamento resulta no recebimento da Shechiná (o aspecto presencial de Deus), em tornar-se ligado a Deus ou unido a Deus. 
Então os rabinos diziam: “O prêmio por uma mitzvá é uma mitzvá”, significando que o mandamento é premiado pela proximidade de Deus que aquele que cumpriu sente, a alegria do espírito que fica com o ato.  Isto certamente é um “recebimento da Shechiná” e sem isto o mandamento é vazio e sem vida, a casca de uma mitzvá sem qualquer alma.......Em todos os serviços de Deus, seja através da fala ou do ato, tanto o corpo quanto a alma são necessários para lhe dar vida.”

6)Mitzvá como Escolha - Rabino Adrián Gottfried
 
Foi pertinente para os judeus no período medieval, expressar nas palavras do Talmud, Gadol metzuve ve osse misheeino metzuve veosse, É mais louvável aquele que observa as mitzvot pelo sentido da obrigação do que aquele que as pratica por sua livre escolha, pois no mundo medieval a concepção básica era para com quem você está obrigado.
 
A idéia de obrigação hoje em dia não funciona conosco, pode até ter funcionado com algumas gerações atrás, mas agora não apela mais a ninguém. E com certeza não vai funcionar com os homens e mulheres que estão hoje, aqui, e com aqueles que escolheram não estar aqui.

Talvez porque a coisa mais significativa, a coisa mais carinhosa que um judeu faz hoje judaicamente é escolher levar o judaísmo a sério num mundo onde não há qualquer obrigação de fazê-lo.

Hoje em dia, todos somos judeus por escolha, até aqueles que somos biologicamente judeus, temos que continuar escolhendo pertencer à nossa tradição.

Em outras palavras, precisamos adaptar a tradição judaica, transpô-la para um contexto de liberdade. Hoje em dia, o judaísmo é para aqueles Einam metzuvim ve ossim, para aqueles que procuram meios de expressar o seu judaísmo numa sociedade aberta, que não pode obrigar ninguém a nada, onde não é suficiente apenas ordenar ou apenas decretar, um judaísmo que possa oferecer uma resposta ao vácuo espiritual nas almas de tantos homens e mulheres.

Prédica do Iamim Noraim 2003

7)Mitzvá é bem diferente de uma boa ação!

BOA AÇÃO MITZVÁ

Temporalidade momentânea;
situação passageira e não que talvez não se repita

Temporalidade prolongada.
Situação que se repete ao longo do dia, semana, mês ou ano.

Depende do estado de ânimo e do bom humor de quem pratica

Não tem nada a ver com o estado de ânimo ou com o bom-humor de  quem a pratica.

Reflete intenção momentânea.

Subentende uma intenção prévia.

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O Seder de Rosh Hashaná

Não se preocupem. Não confundimos a festa. O que acontece é que assim como quase todo o mundo judaico conhece o que significa o Seder de Pessach, quase ninguém conhece o costume do Seder de Rosh Hashaná.

E vale a pena gastar um tempo para aprender sobre esta antiqüíssima tradição basicamente sefaradi e, talvez, começar a seudá (ceia festiva) deste Rosh Hashaná com este pequeno seder.

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