Maçã no mel em Rosh Hashaná
» Se te perguntassem por que você mergulha a maçã no mel em Rosh
Hashaná, sua resposta provavelmente seria "para ter um ano doce"
obviamente um dos muitos simbolismos da religião.
Então eu te perguntaria: Por que mel? Por que nenhuma outra coisa como doce
de leite, geléia, açúcar etc.
A resposta que ouvi quando era garoto foi muito fascinante através do
rabino Abraham AvRutick.
Vocês sabem como o mel é produzido? A abelha tem que trabalhar,
trabalhar e trabalhar, arduamente. Ela vai de flor em flor o dia todo,
dia após dia.
Qual é a moral da estória? Se você quer um ano doce (e bom), você tem que trabalhar por ele!
Temos que trabalhar como uma abelha. Não é só molhar a maçã em algo
doce na esperança de um ano bom.
Temos que fazer acontecer. Leia mais...
Torne o espaço do serviço infantil de Iamim Noraim ainda mais bonito e com a "nossa cara". Contribua com um enfeite personalizado.
Este ano estamos convidando todas as crianças para contribuir com enfeites personalizados de Rosh Hashaná para decorarmos o espaço do serviço infantil. Pode ser um cartaz, uma dobradura, um desenho, colagem, aquarela ... o que a criatividade imaginar.
Tragam os enfeites para a Shalom até a sexta-feira 26 de setembro, aos cuidados de Miriam, ou levem-no diretamente ao Hotel Unique, na primeira noite de Rosh Hashaná.
Esperamos receber muitas obras de arte.
Shaná Tová!!!
Equipe do Serviço Infantil.
Grandes Festas
Estamos mais uma vez iniciando os preparativos para as Grandes Festas de 5769, através da venda antecipada de convites. Mais uma vez, as cerimônias serão realizadas nos salões do Hotel Unique – Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 4.700, em São Paulo sendo que o serviço religioso do segundo dia de Rosh Hashana será feito em nossa sinagoga. Contamos com sua presença em mais esta jornada espiritual.
Grandes Festas |
Data/Local |
| Erev Rosh Hashana |
29/09/2008 – 2ª. Feira – Hotel Unique |
| 1º. Dia de Rosh Hashana |
30/09/2008 – 3ª. Feira – Hotel Unique |
| 2º. Dia de Rosh Hashana |
01/10/2008 – 4ª. feira - na Shalom |
| Erev Iom Kipur |
08/10/2008 – 4ª. Feira – Hotel Unique |
| Iom Kipur |
09/10/2008 – 5ª. Feira – Hotel Unique |
Como todos os anos, haverá, paralelamente, serviços especiais, um voltado para as crianças e outro para jovens, em ambientes criados especialmente para eles. São serviços diferentes, divertidos e muito descontraídos.
Fale com Rebeca: 11 3849-1477 - rebecca@shalom.org.br
Rosh Hashaná - Retorno Renovado
As Grandes Festas são o segundo maior ciclo de festividades do calendário judaico. No sentido mais estrito, o ciclo é composto por Rosh Hashaná os primeiros dois dias do mês de Tishri), observado por dois dias tanto em Israel como na Diáspora (exceto por judeus reformistas, que o observam por apenas um dia) e por Iom Kipur (o décimo dia de Tishri).
Qualquer que seja a origem desses festivais - assunto muito debatido entre os estudiosos - eles são hoje a celebração do início do ano e do esforço de conseguirmos reparar nossos erros do ano anterior.
Os dois elementos, refletidos respectivamente em Rosh Hashaná como o Ano Novo e Iom Kipur como o Dia do Perdão, estão presentes neste período, ainda que, com o tempo, as temáticas do arrependimento, do julgamento e da reparação de Iom Kipur se tornaram predominantes.
Os dias entre essas duas festividades também se tornaram parte do ciclo, da mesma forma que os dias seguintes e o mês de Elul que os precede.
Em Hebraico esses dias são chamados de Iamim Noraim. As traduções mais comuns destes termos são Dias Temíveis, Dias de Penitência, Dias Terríveis, Grandes Festas ou Dia Austeros.
Vários autores preferem a tradução Dias Intensos que capta mais verdadeiramente o espírito deste período, uma vez que em hebraico também existe a expressão norá iafé, algo como intensamente bonito.
Este período é devotado para um exame cuidadoso de quem somos numa tentativa de conhecer os modos pelos quais falhamos - falhamos com os outros, falhamos conosco, falhamos com Deus.
Esta introspecção pretende nos levar a nos arrependermos e termos remorsos pelo mal que fizemos, e nos dirigir a tentativas de repararmos quando possível e de nos desviarmos de nosso "eu" do passado para um "eu" que irá agir de uma forma diferente no ano que entra.
Cada um de nós deve ser como uma versão nova e melhor, não o mesmo velho "eu" um ano mais velho e em maior débito. Este processo de mudança interior é um processo difícil, daí os rabinos o começarem bem antes de Iom Kipur, para que tenhamos tempo mais do que suficiente para chegarmos lá.
Durante o mês de Elul começamos a examinar nossas vidas e nossos relacionamentos. Então chegar Rosh ha-Shaná com toques de shofar que devem acordar nossas almas sonolentas para a passagem do tempo e para o que fizemos e, mais importante ainda, para o que podemos fazer com nossas vidas.
O ano novo nos dá a oportunidade de remodelar nossas vidas em nossa melhor imagem ao nos lembrar de nossa humanidade e nossa relação com o Divino.
Toda essa preparação é um treino diário para a maratona espiritual de Iom Kipur: o dia em que nós rezamos, quase ininterruptamente, pelo perdão e pela renovação.
A tradição usa a imagem de um torneio, um torneio de vida e morte, pois nas imagens da liturgia de Iom Kipur cada um de nós é julgado como "quem vai viver e quem vai morrer" no ano que entra.
Se acreditamos literalmente nessa imagem de Iom Kipur como Dia do Julgamento ou se a vemos apenas como algo apenas simbólico, essas imagens nos confrontam com nossa mortalidade e nos avisam que o momento para a teshuvá é agora.
Este processo de teshuvá - arrependimento - irá, esperamos, culminar em perdão: nosso perdão àqueles que nos ofenderam; os outros nos perdoando e, finalmente Deus nos perdoando.
É, literalmente, um processo de reparação que permite que nos re-par-emos com Deus e com o resto da humanidade.
Rosh Hashaná
No sétimo mês, no primeiro dia do mês, vocês observarão descanso completo, uma ocasião sagrada comemorada com altos toques de trombeta. (Lev. 23:32)
Rosh Hashaná é chamado, na Torá de Iom Truá, o Dia do Toque do Shofar ou de Iom ha-Zicarón, o Dia da Lembrança. O nome Rosh Hashaná, Cabeça do Ano ou Ano Novo, não foi usado até os tempos Talmúdicos. O versículo acima deixa claro que este era um dia de comemoração na Bíblia, mas a natureza da festividade permanece pouco clara.
A noção de Rosh Hashaná como Ano Novo pode ter chegado mais tarde. Na tradição, Rosh Hashaná enquanto Ano Novo está ligado à criação do mundo. Então há, no Talmud, a disputa de se o mundo havia sido criado em Nissan (o mês de Pessach) ou em Tishri. Isto reflete uma divergência mais geral de prática, que é encontrada em todo o mundo antigo, quando o ano novo de algumas pessoas começava na primavera (em Nisan) e o de outras no outono (em Tishri). O Talmud resolve a discussão dizendo ‘ambos estão certos’ - há quatro datas de ano novo no calendário judaico. Então, o 1 de Nissan é o Ano Novo dos Reis (a data para determinar quantos anos um rei governou) e para os meses (Nissan é o primeiro mês); o dia 1 de Elul é o ano novo para animais; 15 de Shevat (Tu Bishvat) é o Ano Novo das árvores e o dia 1 de Tishri é o Ano novo para anos e marca o aniversário da criação do mundo.
Os estudiosos da Bíblia especulam que a origem de Rosh Hashaná estaria em festividades de coroações divinas do Oriente Médio antigo, algumas das quais ocorriam no outono. Se isto for verdade, não é surpreendente que o motivo central da Liturgia de Rosh Hashaná é Deus como Rei.
Tradições de Rosh Hashaná
O Shofar em Rosh Hashaná
O toque do shofar é o único ritual bíblico específico para Rosh Hashaná. O simbolismo do shofar não é explicitado na Torá. Seja uma forma de acordar nossas almas dorminhocas ou um toque de clarim que chama à batalha contra a pior parte das nossas almas, o som primitivo do toque do shofar remexe algo bem profundo em nós. Há um sentimento de expectativa no silêncio que antecede o som do shofar, seguido por uma inquietação evocada pelos vários toques. Parte deste mistério está no jogo do silêncio, do som provocante e do sussurrar das pessoas rezando.
No nível mais básico, o shofar pode ser visto como a expressão daquilo que não conseguimos dizer com palavras. Os toques são os gritos sem palavras do povo de Israel. O shofar leva os gritos de dor e saudade direto através da grande distância que nos separa de Deus.
Há três sons feitos pelo shofar: tekiá, que é um toque longo; shvarim, três curtos e truá, nove toques em staccato. A Torá não explicita quantos toques, exatamente, são necessários mas os rabinos derivam, de uma complicada exegese de Lev. 25:9, 23:24 e Num. 29:1, a necessidade determos três toques de truá precedidos e seguidos por tekiá. A única questão que ficou seria o que, exatamente, é truá. Uma opinião é que deveria soar como um gemido (nosso shvarim); outra é que deveria soar como um soluço (nosso truá) e outra, ainda, que deveria soar como os dois juntos (o que chamamos de shvarim truá). Daí temos o padrão tekiá, truá tekiá, tekiá shvarim tekiá, tekiá shvarim truá tekiá para cobrir todas as possibilidades.
O toque do shofar acontece algumas vezes durante o serviço de Rosh Hashaná. Um conjunto de toques acontece depois da leitura da Torá e é chamado de de-miushav - ao sentar, pois houve um tempo em que podíamos sentar durante esses toques. De acordo com uma tradição este era o momento do serviço no qual o shofar era originalmente tocado até que um governador acreditou que estes toques eram o sinal combinado para uma rebelião e mandou suas tropas.Os rabinos, portanto, moveram os toques do shofar para mais tarde no dia, quando estaria claro que nenhuma rebelião estava sendo planejada e o primeiro conjunto foi, depois, reinstituído.
Um outro conjunto de toques é feito durante a repetição da amidá de Mussaf, no final de cada uma das bênçãos centrais da amidá. Há um certo número de variações na ordem dos toques bem como no sopro adicional de uns toques perto do final do serviço.
Estes toques adicionais são necessários para completar os 100 toques costumeiros em cada um dos dias de Rosh Hashaná. A mitzvá do shofar é ouvi-lo ser tocado por alguém e não tocá-lo, daí a bênção de "ouvir o toque do shofar". Por poder ser uma violação das leis de Shabat carregar o shofar, os rabinos decidiram que se Rosh Hashaná cai em um Shabat, não podemos tocar o shofar. A maioria das sinagogas segue esta prática, o que significa que nos anos em que Rosh Hashaná coincide com Shabat não se ouve nenhum toque de shofar até o segundo dia.
A Liturgia
A liturgia tradicional para as festividades tem muitas inserções que expressam o tema de julgamento e arrependimento. Uma das mais famosas é o hino Unetane tokef que foi escrito, segundo a lenda, por um rabino na Idade Média que foi torturado por se recusar a se converter ao Cristianismo. Antes de morrer ele compôs este hino que descreve, vivamente, todos os seres humanos passando em frente de Deus, Que decide quem vai morrer e quem vai viver.
Uma outra imagem recorrente é o Livro da Vida e o Livro da Morte e o nome de cada pessoa sendo escrito em um deles.
Em Rosh Hashaná todos os justos são inscritos no Livro da Vida e todos os maus, no da Morte. Aqueles que não são nem justos nem maus têm até o dia de Kipur para se arrependerem antes de seu destino ser selado.
A liturgia está cheia de pedidos para sermos escolhidos para a vida. As leituras da Torá de Rosh Hashaná são o nascimento de Isaac no primeiro dia e o sacrifício de Isaac - a akedá - no segundo.
As haftarot são o nascimento de Samuel do livro de Juízes, no primeiro dia, e uma seleção de Jeremias, incluindo a visão do final do Exílio do povo de Israel, no segundo.
Os temas da concepção depois da infertilidade, salvação depois do exílio e resgate do sacrifício são delineadas por essas leituras e dão um ar positivo ao dia.
O tema do nascimento de crianças também nos lembra que Rosh Hashaná marca o aniversário do mundo. E a história da akedá, que demonstra o amor supremo de nossos ancestrais por Deus, dá a ligação com nosso apelo para que Deus nos resgate da morte.
A amidá de mussaf, o serviço adicional, é única para Rosh Hashaná.
Enquanto a amidá comum do serviço da manhã, como a amidá de todas as outras festividades, tem uma bênção central relacionada com a festividade, esta amidá tem três brachot (bênçãos) centrais. A primeira fala do reinar de Deus e por isso é chamada de malchuiot. A segunda é zichronot, que descreve Deus lembrando do passado e a terceira é shofarot, que conecta o shofar com eventos importantes no passado, tais como a entrega da Torá no Sinai, e o evento importante do futuro - o final messiânico dos dias.
Em cada um desses eventos o shofar foi ou será tocado. Cada uma das brachot é centrada em dez versos, três da Torá, três dos Escritos, três dos Profetas e, finalmente, um da Torá. Essas três brachot têm sido interpretadas de várias formas mas a mais comum é que elas refletem os princípios básicos do judaísmo:
1. A aceitação de Deus como Rei do Universo;
2. O conhecimento de que Deus intervém no mundo para punir os maus e recompensar os bons;
3. O reconhecimento de que Deus revelou-Se e revelou a Torá no Sinai e/ou se revelará novamente para trazer o fim dos dias.
Dois outros desvios da liturgia padrão das festividades devem ser mencionados.
Primeiro, que há uma série de inserções na amidá, em todos os serviços do dia, que enfatizam o reinar de Deus e pedem que Deus nos lembre para a vida e escreva nossos nomes no Livro da Vida.
Segundo, que apesar de Rosh Hashaná ser uma festividade, não há Halel. A explicação mais comum é dada por um midrash: os anjos celestes perguntam por que Israel não recita Halel.
Deus diz "É possível que um rei se sente com os livros da vida e da morte abertos à sua frente e Israel cante hinos de louvor?"
Por que Rosh Hashaná é observado por dois dias?
Diferentemente dos outros festivais, que são celebrados por dois dias graças à incerteza do calendário, Rosh Hashaná é o único iom-tov celebrado por dois dias também em Israel. A razão é a mesma da das outras festividades, isto é, a incerteza envolvida em um calendário que dependia da promulgação, pela corte rabínica, da lua nova em Jerusalém.
O problema de Rosh Hashaná é aumentado pelo fato de que coincide com o Rosh Chodesh - a lua nova e, portanto, mesmo em Jerusalém seria difícil fazer com que todos soubessem que o Ano Novo havia começado. Para resolver este problema, um Rosh Hashaná de dois dias passou a ser observado mesmo em Israel. (Uma vez que o calendário foi estabelecido, as pessoas em Israel passaram a observar apenas um dia de Rosh Hashaná até a Idade Média, quando a prática voltou a ser dois dias).
A criação de um Rosh Hashaná de dois dias teve a intenção de fortalecer a observância de cada um dos dias.
Na visão rabínica os dois dias eram ioma arichta - um dia longo. Desta forma, a sacralidade de ambos os dias foi estabelecida. O fato de ser "um longo dia" levantou uma questão: seria necessário ou não recitar o sheecheianu, brachá que expressa agradecimento por uma ocasião especial, no segundo dia?
Para solucionar este problema, surgiu o costume de comer uma fruta nova ou usar uma roupa nova que, por si só, requerem o sheecheianu e, ao acendermos as velas ou fazer o kidush, termos essas coisas em mente.
Mas se não tivermos uma roupa nova ou uma fruta, falamos sheecheianu do mesmo jeito.
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