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Ritual Tashlich

O ritual de tashlich é realizado no primeiro dia da Rosh Hashaná, quando este não coincide com shabat. É costume irmos até um lugar que tenha água natural corrente (lagos, rios ou mar) e onde tenhamos também peixes. Lá meditamos, cantamos e recitamos alguns salmos, especialmente Miquéias 7:19. 7:19 “E jogaras (tashlich)teus pecados nas profundezas do oceano”

Depois de ouvirmos o toque do shofar, lançamos ali na água migalhas de pão, que simbolizam resíduos desintegrados de nossas faltas cometidas durante o ano que se encerra.

A água carrega simbolicamente nossos erros ou desacertos, nossas culpas, e estas migalhas se transformam em alimentos para os peixes, para seres vivos.

Assim nós nos “desculpamos” para o próximo ano.

A água faz parte dos rituais judaicos de purificação, como os banhos de imersão, por exemplo, que realizamos em momentos especiais, ou também antes do shabat ou de festas (mikvá). Não é de estranhar, então, que nestes dias intensos a água esteja presente e simbolize o meio através do qual reciclamos situações ou relações não resolvidas até o início deste novo ano.

“A maioria das pessoas associa o ritual de tashlich como “jogar fora”. Entretanto, de uma perspectiva “eco-kasher”, esta idéia não faz mais sentido. Antes de pensarmos em ecologia, nós pensávamos que podíamos jogar coisas fora.
Hoje sabemos que não é mais possível jogar nada fora, pois simplesmente o “fora” não existe.Ao invés disso, lançamos nossos desacertos ou transgressões para serem neutralizados, para que se tornem biodegradáveis, para que desta forma possam ser reciclados sem causar nenhum tipo de poluição.

Para que isso se torne possível, é necessário a cada Averá (transgressão), simbolicamente lançada às águas, que por um momento reflitamos e indaguemos:

O que eu aprendi?

O que este desacerto trouxe de positivo para mim?

Assim, queremos não apagar as averót, mas transformá-las tão completamente que não possam mais ser reconhecidas. Este é o significado que agora percebemos quando dizemos “bimtsulot maim”, nas profundezas das águas.

Tão profundas que agora não podem mais ser restauradas.”
(Rab Zalman Schachter-Shalomi)

 

Que nos seja possível transformar
(Adaptado do “New Machzor”)

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pela decepção, para que não sejamos capazes de corromper, enganar ou iludir outras pessoas, fingindo ser o que não somos.

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pela futilidade, para que não sejamos induzidos ao esforço de alcançar objetivos que não nos trazem realizações.

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pela teimosia, para que não sejamos persistentes em atos tolos, e que não desistamos de nossa busca por mudanças.

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pelo egoísmo, que nos impede de preencher nossas vidas com propósitos maiores, e de compartilhar nosso amor com o próximo.

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pela indiferença, para que nos tornemos mais sensíveis ao sofrimento que nos rodeia e mais solidários com os que estão à nossa volta.

Que possamos transformar nossas faltas cometidas pelo orgulho e pela arrogância, para que possamos servir a Deus e Seus propósitos com humildade e com verdade.

“Qual Deus é como Tu, que tiras a culpa e perdoas o crime?
Que não guardas para sempre Tua ira, porque preferes o amor?
Manifesta novamente Tua misericórdia para nós, calça aos pés as nossas faltas, e lança ao fundo do mar todos nossos pecados!
Concede a Yaacov Tua fidelidade,
Misericórdia a Abraham,
Como juraste aos nossos pais como nos dias de antigamente.”
(Micah 7:18-20)

“Ninguém fará o mal, nem destruição nenhuma em todo o meu santo monte,
Porque a terra ficará plena do conhecimento de Adonai,
Como as águas preenchem o mar.”
(Isaías 11:9)

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