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Pessach: um convite para a criança dentro de nós

Dentro de cada um de nós vive uma criança. Por mais que tentemos evitar esta criança, o sentimento de maravilha e ingenuidade que associamos à infância continua sendo parte do que somos.

Como adultos, passamos os nossos dias preocupados com 'assuntos de conseqüência' como por exemplo trabalho, taxas, obrigações sociais, políticas e outros assuntos "sérios". Nós nos levamos a sério demais! Geralmente nós nos esquecemos de que precisamos deixar acontecer e permitir a nós mesmos a experiência dos alegres sentimentos dos nossos primeiros anos: a habilidade de brincar, de rir, e de fazer acreditar. Assim como a maioria das crianças, nós precisamos redescobrir a maravilha de brincar ou de fazer uma nova descoberta. Essas experiências fazem parte da criança que está dentro de nós.

Mas há também outros sentimentos associados à infância. A criança dentro de nós é um produto da nossa própria infância. Independente de percebermos ou não, essa criança ajuda a moldar a nossa personalidade adulta. As perdas, as decepções, as feridas da infância continuam existindo mesmo quando envelhecemos. Os psicólogos ensinam que a menos que aprendamos a enfrentar o lado escuro da nossa infância, as memórias escondidas no fundo da nossa psique continuarão escravizando e controlando as nossas atitudes.

Pessach é uma oportunidade de libertar a criança que está dentro de nós. Em certo nível o Seder é uma experiência orientada pelas crianças. Essa cerimônia é construída em volta do mandamento bíblico "e você deverá contar ao seu filho neste dia, dizendo: 'é por causa disso que o Senhor fez para mim quando eu saí do Egito..." Desde a recitação do Ma Nishtaná e a busca do afikoman até cantar o Chad Gadia no final do Seder, a nossa tradição mantém o interesse dos jovens na mesa do Seder.

E há os quatro filhos da Hagadá - hoje melhor traduzidos como as quatro crianças. Apesar das suas diferenças, a Hagadá nos diz que há lugar para cada criança dentro da celebração do Pessach. Cada uma é encorajada a fazer a sua própria e única pergunta e cada criança recebe a resposta apropriada, de acordo com a sua necessidade.

O Seder, então, é sobre crianças, mas não é infantil. Ele nós dá uma oportunidade de vivenciar a maravilha da infância de novo. Ao nos sentarmos juntos à mesa do Seder, cada um de nós se torna uma criança: nós jogamos jogos, contamos histórias, fazemos charadas, aprendemos Torá, cantamos músicas, e fazemos acreditar que Eliahu está presente quando a porta é aberta para ele. Na nossa sociedade, essas ações provavelmente seriam julgadas como 'infantis'. E ainda a habilidade de nos libertarmos das presunções de adulto por algumas horas durante a noite do Seder nos permite redescobrir a nossa própria infância. Nessa descoberta nós chegamos a entender a jornada da escravidão à liberdade. Ao permitir a nós mesmos contar a história do Êxodo, nós admitimos a nossa própria infância.

Num nível mais profundo, o Seder é sobre você e sobre mim. É um convite para aceitar a criança que está dentro de nós e para escapar dos fardos da vida trivial de adulto. Nós passamos tanto da nossa vida fingindo que éramos adultos que às vezes acabamos nos esquecendo do que realmente era importante. Na noite do Seder todos nós nos tornamos crianças - as crianças de um Deus vivo que nos tirou da casa da escravidão!

Os melhores desejos para uma celebração alegre de Pessach. A Mariana e eu desejamos um Pessach Kasher Vesameach - um doce e divertido Pessach!!

Do seu Amigo e Rabino
Adrián

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